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Chegar ao
banco para buscar o dinheiro da aposentadoria e perceber que estão
faltando mais de R$ 400. Esse foi o susto que uma beneficiária
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que pediu para não
ser identificada, levou na última quarta-feira, em Belo Horizonte.
Ela engrossa a lista de vítimas de fraudadores que têm utilizado
o artifício do empréstimo consignado - feito por meio de
bancos e financeiras - para conseguir arrancar dinheiro dos aposentados.
Não existe uma estatística que retrate o número de
vítimas, mas funcionários da Delegacia de Falsificações
e Defraudações da capital disseram à vítima
que são registradas de três a quatro queixas por semana na
unidade.
Depois de buscar informações junto ao INSS, a beneficiária
mineira descobriu que o desconto foi feito para pagar a primeira parcela
de um empréstimo consignado de R$ 8 mil, dividido em 36 vezes,
feito no dia 11 de novembro de 2005 pelo Banco Cruzeiro do Sul, que sequer
possui agências em Minas. Ela garante que jamais fez qualquer tipo
de empréstimo. Esse tipo de fraude, para o delegado Valdomiro Pascoal
do Vale, da Delegacia de Falsificações e Defraudações,
indica a possível participação de funcionários
do INSS ou da própria instituição financeira. Apesar
de não possuir um levantamento oficial, o delegado avalia que a
unidade deve receber uma denúncia de golpes por empréstimo
a cada 15 dias.
A assessoria de imprensa do INSS informou ontem que o Banco Cruzeiro do
Sul teve suspensa a autorização de conceder empréstimo
consignado no dia 24 de fevereiro deste ano, depois de a Previdência
ter recebido reclamações de quatro aposentados alegando
que não haviam feito o empréstimo. Mas a operação
foi reaberta no dia 2 de março depois que o banco regularizou a
situação e ressarciu os beneficiários. A assessoria
de imprensa do Banco Cruzeiro do Sul foi procurada pela reportagem na
tarde de ontem, mas, até o fechamento desta edição,
não havia dado resposta. No INSS também ninguém foi
encontrado para falar sobre o assunto.
De acordo com o delegado Valdomiro Pascoal, o caso será encaminhado
para investigação e, caso consiga chegar à autoria,
o inquérito será enviado à Justiça para que
o indiciado responda por estelionato - penas de um a cinco anos de prisão.
A orientação para a vítima, segundo o delegado, é
de que entre com uma ação indenizatória contra o
banco enquanto corre a investigação.
GOLPE É COMUM, DIZ FEDERAÇÃO
O presidente
da Federação dos Aposentados e Pensionistas do Estado de
Minas Gerais, Robson de Souza Bittencourt, afirma que os golpes contra
os aposentados são constantes. "O que a gente percebe é
que essas gangues agem em determinado período e, quando começam
a surgir as denúncias, eles somem e vão agir em outros estados",
explica. Ele lembra que há três anos aconteceram casos de
golpes semelhantes ao do empréstimo consignado que foram resolvidos
com o acionamento, pela Federação, do Ministério
Público.
Nas últimas semanas, de acordo com Bittencourt, aposentados da
Universidade Federal de Lavras (Ufla) procuraram a Federação
para denunciar golpes. Na última semana, chegaram informações
de ações em Ouro Branco. Os golpistas abordam o beneficiário
alegando que ele teria R$ 30 mil a receber (pecúlio) do antigo
Ipase, já extinto. Mas, para conseguir o "reembolso",
seria preciso depositar R$ 2,3 mil. O aposentado consultava a conta e
descobria os R$ 30 mil depositados em sua conta, mas bloqueados. Então,
depositava na conta do golpista os R$ 2,3 mil. Quando procurava pelo pecúlio,
descobria que o cheque depositado não possuía fundos.
PREVIDÊNCIA SUSPENDE 100 MIL BENEFÍCIOS EM ABRIL
BRASÍLIA
- O Ministério da Previdência Social vai cancelar, no próximo
dia 3 de abril, o pagamento de cerca de 100 mil aposentadorias e pensões.
Todos esses segurados não responderam à convocação
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para fazerem o recadastramento
junto à rede bancária. O ministro da Previdência Social,
Nelson Machado, informou que a lista com os nomes dos segurados que terão
os benefícios suspensos será divulgada na próxima
semana. Será publicado um edital com todos os nomes.
Segundo o ministro, nesse grupo de segurados suspensos podem estar desde
quadrilhas organizadas de fraudadores até pessoas desinformadas.
Machado explicou que esses beneficiários fazem parte dos 970 mil
segurados convocados em outubro do ano passado para o censo previdenciário.
Na primeira etapa do recadastramento, foram chamados para o recenseamento
2,4 milhões de segurados nos meses de outubro a dezembro de 2005.
A expectativa do INSS é cerca de 10% dos convocados não
compareçam. Nesse caso, a economia com a suspensão e posterior
cancelamento dos benefícios será de R$ 1,3 bilhão
por ano. No primeiro grupo de convocados estão os benefícios
com o cadastro mais vulnerável, com informações incompletas
sobre endereço, idade e nomes dos pais.
A suspensão do pagamento dos benefícios do INSS não
significa seu cancelamento. Se por algum problema o segurado regular não
fez o cadastramento a tempo e teve o benefício suspenso, poderá
reativá-lo rapidamente, num prazo de cerca de 12 dias.
REPÓRTER:Janaína Martins
Fonte:
Hoje em Dia
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